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Rico Dinheiro

Conteúdo histórico, sem atualização; ativos citados não são recomendação.

Carteira de Investimentos - Agosto de 2013

Publicado originalmente em 16 de setembro de 2013

Nota do arquivo: o gráfico do Ibovespa que acompanhava este trecho era imagem de terceiros e foi retirado na migração.

Olá pessoal!

O IBOV mostrou uma recuperação e formou um novo Canal de Alta ao romper os 50 mil pontos. Fechou o mês em alta. O melhor de tudo é que a elevação dos preços foi acompanhada por uma elevação do volume, o que torna a alta mais sustentável. Fica ainda a dúvida se esta tendência se manterá por um período mais longo, dado a instabilidade que vivemos na economia mundial.

Os objetivos deste post são:

  • Demonstrar como acompanhar a rentabilidade de uma carteira de investimentos;
  • Demonstrar como comparar a rentabilidade de uma carteira de investimentos com outros indicadores;
  • Comentar as principais variações na carteira;
  • Comentar as principais expectativas para os períodos futuros.

ATENÇÃO

O artigo a seguir foi escrito para fins meramente educacionais. Apesar de basear-se em fatos reais não se trata, em nenhuma hipótese, em recomendação de investimento. Os ativos citados no texto, bem como as rentabilidades apresentadas, são decorrentes de ativos nos quais o autor investe e de suas variações de preço conforme situação específica da carteira de investimentos do autor. Decisões de investimento baseadas nas informações apresentadas neste artigo são de responsabilidade exclusiva de quem assim o fizer, não sendo o autor responsável pelas consequencias destas decisões.

Agosto 2013

Gráfico de barras com a variação diária do IFIX, do CDI, do IKEU Ações, do IKEU Câmbio e do IKEU em agosto de 2013.

A volatilidade de Agosto, apesar de menor que no mês anterior, ainda foi considerável. Tivemos muitos dias com baixas expressivas. O IKEU fechou com +0,9%. O destaque positivo ficou com o IKEU Câmbio que fechou com +7,0%. Já o destaque negativo ficou com o IFIX que fechou com -3,7%.

Veja o resultado de R$ 1 mil reais investido tendo como base cada um desses indicadores do índice IKEU:

Gráfico de linhas simulando R$ 1.000 aplicados em 31 de julho de 2013 no IFIX, CDI, IKEU Câmbio, IKEU e IKEU Ações até 30 de agosto; o IKEU Câmbio termina em cerca de R$ 1.070 e o IFIX em cerca de R$ 963.

Veja a importância da diversificação. Ao fazê-lo, você não leva todo o prêmio de ter acertado que o Câmbio seria a melhor aplicação do mês. Mas também não fica com o prejuízo de ter errado e apostado nos Fundos Imobiliários.

Rentabilidade da Carteira nos últimos 12 meses

Gráfico de barras com a rentabilidade mensal da cota e do IPCA de setembro de 2012 a agosto de 2013; em agosto de 2013 a cota cai 0,7% e o IPCA sobe 0,2%.

Apesar do IKEU ter fechado com alta de 0,9% no mês de Agosto, a Carteira fechou com queda de 0,7%.

Duas as razões explicam essas divergências:

  1. O IKEU é índice que criei que busca uma Diversificação Linear entre as classes e os ativos. No IKEU não há ações ou fundos específicos, apenas índices. Já na Carteira sim;
  2. A principal razão do resultado negativo está na elevação da Meta SELIC pelo Banco Central.

O item 2 merece maiores detalhes.

Quando a perspectiva é de aumento na Taxa SELIC, o preço dos Títulos Públicos sofrem uma queda. Isso ocorre porque, em especial os Títulos Pré Fixados, são negociado pelo seu Valor de Face trazido a Valor Presente. Então se a Taxa sobe, o Valor Presente cai. Mas isso só significará prejuízo ao investidor caso ele decida vender seu Título. Isso porque se ele mantiver o Título até o vencimento, receberá o valor acordado. E o acordado não sai caro, em tese.

A elevação da Taxa SELIC também impacta negativamente os Fundos Imobiliários. Isso porque o principal (mas não único) foco dessa classe de ativo é obter renda mensal com os aluguéis e/ou juros provenientes dos financiamentos imobiliários. Funciona mais ou menos assim:

  1. Você tem um FII cujo custo médio unitário de compra é R$ 133,50;
  2. Esse FII pagou R$ 0,96 por cota, o que dá um Yeld de 0,72% (0,96 / 133,50 * 100);
  3. A Taxa SELIC Mensal é 0,71% (8,5% / 12);
  4. Como o Yeld do FII (0,72%) é superior a SELIC Mensal (0,71%) significa que o aluguel está te proporcionando melhor resultado que comprar Títulos Públicos;
  5. A Taxa SELIC Mensal, em seguida, é elevada para 0,75% (9,0% / 12);
  6. Visto que o aluguel não sofreu reajuste, o FII já não está em posição de vantagem em relação aos Títulos Públicos;
  7. Como não está em vantagem, o que a maior parte dos investidores tenderão a fazer? Vender seus FII’s;
  8. Os especuladores, sabendo que os investidores tenderão a vender seus FII’s o que farão? Venderão FII’s;
  9. Como tem mais pessoas vendendo que comprando o que ocorre com os preços? Caem;
  10. Então FII fecha o mês cotado a R$ 122,00, provocando uma desvalorização para quem manteve os FII’s em carteira;
  11. Como o preço do FII caiu, seu novo Yeld passa a ser 0,79% (0,96 / 122,00 * 100);
  12. Novamente ficando num patamar de vantagem em relação a SELIC Mensal, que é de 0,75%;
  13. Possivelmente, investidores e especuladores observando novamente essa posição de vantagem do FII voltarão a comprá-lo, provocando nova subida do preço.

É assim que o mercado vai se ajustando e se equilibrando, de acordo com a Lei da Oferta de da Procura.

Vale lembrar que, se você é de fato investidor, tem uma visão de longo prazo e foca a formação de patrimônio ao invés de ganhos com a volatilidade, não se deixará abater pela queda momentânea na cotação de seus ativos. Pelo contrário.

Se antes de comprar o FII você avaliou que pagar R$ 133,50 por ele era um ótimo negócio, pagar R$ 122,00 é um negócio melhor ainda. Aproveite para reduzir o seu custo médio e lembre-se que a economia é formada por ciclos. Agora a taxa de juro está subindo, mais à frente ela poderá cair. E o efeito será exatamente o oposto. O mesmo raciocínio vale para os Títulos Públicos.

O destaque positivo da carteira fica com a Classe Câmbio que valorizou 3,6% no mês. Como o % de Alocação é baixo (6,0%) essa rentabilidade provocou apenas a elevação de 0,2% na carteira como um todo. Insuficiente para compensar as perdas com FII e RF.

Evolução da Carteira

Gráfico de linhas da evolução do valor da cota de outubro de 2011 a agosto de 2013, comparado com a cota corrigida pelo IPCA; a cota (0,93) fica abaixo da linha do IPCA (1,01).

Apesar da queda no mês, não foi nada comparável a perda desde o início do ano. Mesmo que a Taxa SELIC continue subindo, caso o IBOV tenha força para manter a tendência de alta durante o mês de setembro, são grandes as chances de termos valorização a Carteira.

Não houve nenhuma mudança significativa nas alocações esse mês.

Gráfico de barras comparando a alocação meta e a real por classe em agosto de 2013: ações 44,1% e 46,0%, fundos imobiliários 25,0% e 23,9%, renda fixa 25,0% e 23,8%, câmbio 5,9% e 6,3%.

Por Dentro da Carteira

Vamos inciar uma nova seção. Agora que a carteira está estabilizada, vamos dar uma olhada com mais detalhes nos ativos que a compõe. Comecemos pelo Câmbio, classe com a menor Alocação.

São três os Ativos Alvos dessa Classe: Dólar, Euro e Ouro.

Como o volume de recursos nessa classe é baixo, ainda não temos alocação em Ouro, ficando, portanto, restrito a Dólar e Euro. Veja como os recursos estão distribuídos nessa Classe:

Gráfico de barras com a divisão da classe câmbio, dentro da classe (AL M) e no total da carteira (AL T): dólares em espécie 16,6%, fundo cambial em dólar 33,0%, euro em espécie 0,1% e fundo cambial em euro 50,3%.

Legenda:
AL M = Alocação dentro da Classe
AL T = Alocação no Total da Carteira

Podemos perceber o total equilíbrio entre a alocação em Dólar e Euro. No caso do Dólar, há uma parte guardada em espécie e outra em um fundo de investimento do BB. Por questão de segurança, manter o valor num fundo no banco, apesar da taxa de administração cobrada, me parece mais sensato. A não ser que haja a possibilidade de se utilizar estes recursos para uma viagem ou algum gasto nesta moeda num curto espaço de tempo.

O que esperamos

O mês de Setembro, até o momento, tem mostrado-se promissor. A tendência de Alta tem ganhado força o que é muito bom para dar um alívio no curto prazo.

Mas a instabilidade da economia mundial continua. Ainda temos o risco de declaração de guerra dos EUA à Síria. A inflação no Brasil, apesar do alívio em Julho ainda requer cuidados. Enfim, ainda estamos longe de ficarmos tranquilos.

E vamos que vamos!

Um grande abraço e até a próxima!

Kleber Rebouças

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