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Rico Dinheiro

Conteúdo histórico, sem atualização; ativos citados não são recomendação.

Carteira de Investimentos - Março de 2014

Publicado originalmente em 10 de abril de 2014

Nota do arquivo: o gráfico do Ibovespa que acompanhava este trecho era imagem de terceiros e foi retirado na migração.

O IBOV escapou do canal de baixa primário e teve uma expressiva alta de 12,1% desde o dia 14/03. O índice ainda venceu as barreiras da Média Móvel Exponencial de 200 dias e dos 52 mil pontos em abril. Mas isso não quer dizer podemos ficar tranquilos. É bem provável que tenhamos realização de lucro num curto prazo.

Os objetivos deste artigo são:

  • Demonstrar como acompanhar a rentabilidade de uma carteira de investimentos;
  • Demonstrar como comparar a rentabilidade de uma carteira de investimentos com outros indicadores;
  • Comentar as principais variações na carteira;
  • Explicitar técnicas de análise de ativos;
  • Comentar as principais expectativas para os períodos futuros.

ATENÇÃO

O artigo a seguir foi escrito para fins meramente educacionais. Apesar de basear-se em fatos reais não se trata, em nenhuma hipótese, em recomendação de investimento. Os ativos citados no texto, bem como as rentabilidades apresentadas, são decorrentes de ativos nos quais o autor investe e de suas variações de preço conforme situação específica da carteira de investimentos do autor. Decisões de investimento baseadas nas informações apresentadas neste artigo são de responsabilidade exclusiva de quem assim o fizer, não sendo o autor responsável pelas consequências destas decisões.

Março de 2014

Gráfico de linhas simulando R$ 1.000 aplicados em 28 de fevereiro de 2014 no IFIX, IKEU Ações, IKEU RF, IKEU e IKEU Câmbio até 31 de março; o IKEU Ações dispara para cerca de R$ 1.057 e o IKEU Câmbio cai para cerca de R$ 968.

O IKEU Ações disparou +10% desde o dia 14/03. Fantástico! Em contrapartida, o IKEU Câmbio caiu -5% desde o dia 13/03. Uma das razões é a volta do capital estrangeiro, daí a subida do índice de ações e a queda do índice de câmbio.

Já o IKEU RF teve o resultado de -0,33% e o IFIX de +0,42%. O resultado final é que o IKEU encerrou o mês com +0,63%.

Rentabilidade da Carteira nos últimos 12 meses

Gráfico de barras com a rentabilidade mensal da cota e do IPCA de abril de 2013 a março de 2014; em março de 2014 a cota sobe 1,1% e o IPCA 0,9%.

Segundo mês seguido com rentabilidade positiva, apesar de não ter sido o melhor mês do período. Entretanto, a decepção ficou por conta da inflação oficial, medida pelo IPCA, que foi de +0,9%. E o Governo Federal insiste em dizer que está sob controle.

Acredite se quiser…

Evolução da Carteira

Gráfico de linhas da evolução do valor da cota de outubro de 2011 a março de 2014, comparado com a cota corrigida pelo IPCA; a cota sobe para 0,92 e a linha do IPCA chega a 1,06.

Este mês foram zeradas as perdas nominais desde Outubro/2011. Contudo, se levarmos em conta a rentabilidade real o resultado é de -13,2%.

A inflação acumulada do período é de +15,7%. Ou +0,49% ao mês. Na poupança, o rendimento do período foi de +17,2%, ou +0,55% ao mês. A conclusão poderia ser: “Oras, pra que arriscar se a poupança está melhor!”. Veja o gráfico abaixo:

Gráfico de linhas da evolução do valor da cota de outubro de 2011 a março de 2014, comparado com a cota corrigida pela poupança; a cota fica acima da poupança em boa parte do período, mas termina abaixo.

Parece com o gráfico anterior. A diferença é que a linha vermelha é a cota corrigida pela variação da poupança. Se analisar com cuidado verá que em 55% do tempo a cota está com valorização superior à da poupança.

A variação negativa decorre da crise econômica que vivemos atualmente (se ainda não percebeu, abra os olhos!). A economia avança em ciclos. Períodos de baixa e períodos de alta. Atualmente, o Brasil, passa por um período de baixa. Claro, se formos analisar minuciosamente veremos algumas contradições mas, em linhas gerais, o período é de baixa.

É impossível definir quando esse pessimismo passará. Quem o fizer estará praticando “magia negra”. O fato é que você precisará estar preparado para a virada. Como? Alocação de Ativos. Veja na próxima seção, mais uma vez, como esta estratégia pode te ajudar.

Mais uma vez não tivemos novos aportes na carteira. A alocação final do mês ficou assim:

Gráfico de barras comparando a alocação meta e a real por classe em março de 2014: ações 43,5% e 43,9%, fundos imobiliários 25,0% e 24,6%, renda fixa 25,0% e 25,7%, câmbio 6,5% e 5,7%.

Por dentro da Carteira

Os ativos que apresentaram os melhores e piores desempenho foram:

Tabela com o melhor e o pior ativo de cada classe em março de 2014, com variação no mês e rentabilidade acumulada; em ações, PETR4 foi o melhor do mês (+16,1%) e BRIN3 o pior (-28,1%).

BRIN3 e RDES11 mais uma vez tiveram o pior desempenho de suas respectivas classes. Já na Renda Fixa, NTNB100535 havia tido o melhor desempenho em Fevereiro/14. Agora teve o pior. No Câmbio, as posições inverteram entre os mesmos ativos.

Nenhuma operação foi realizada em Março/14. Mas eu quero relembrar as operações de Fevereiro/2014:

Tabela que repete as operações de fevereiro de 2014: venda de VRTA11, vendas parciais dos fundos cambiais e compras de HBOR3 e MSHP11, com preço médio e rentabilidade.

O racional por trás das operações foram:

  1. Trocar VRTA11 (último lugar no ranking) por MSHP11 (primeiro lugar no ranking);
  2. Reduzir a alocação em Câmbio por estar acima da meta e aumentar em Ações por estar abaixo da meta.

O resultado dessas operações, até 31/03/2014, pode ser observado no quadro abaixo:

Tabela com o resultado das operações de fevereiro até o fechamento de março de 2014: VRTA11 -1,5%, fundo cambial em dólar 4,0%, fundo cambial em euro 3,8%, HBOR3 15,8% e MSHP11 -6,4%.

O ∆ % dos três primeiros ativos (vendas) corresponde a quanto ganhei ou deixei de ganhar em função de ter executado a operação antes de 31/03/2014. Então, em VRTA11 deixei de gahar 1,5%. Já no Dólar e Euro garanti o ganho de 4,0% e 3,8% respectivamente.

O ∆ % dos dois últimos ativos (compras) corresponde à valorização da OPERAÇÃO (não confundir com a rentabilidade na Carteira, que leva em conta o custo médio) até 31/03/2014. Assim, HBOR3 teria valorizado 15,8% enquanto MSHP11 desvalorizado 6,4%.

No conjunto, as operações tiveram um resultado de -1,2%. Mas o que queremos analisar é como a Estratégia de Alocação de Ativos te ajuda a garantir ganhos comprando na baixa e vendendo na alta. Assim, desconsiderando a troca de VRTA11 por MSHP11 (até porque este último permanecerá na Carteira por um longo período), o resultado é de +11,3%.

Agora, com a queda que a Classe Câmbio vem sofrendo, está abrindo-se espaço para aumentar, novamente, a exposição a ela, reduzindo-se em outra classe que esteja acima da meta: Ações ou Renda Fixa.

Com isso podemos perceber a vantagem de periodicamente rebalancear sua Carteira de forma a realizar ganhos e comprar bons ativos que sofreram desvalorização.

O que esperar

Muita tensão! Não podemos perder de vista que este é um ano eleitoral e, via de regra, as incertezas acrescentam pimenta à volatilidade dos preços. Além disso, ainda estamos com crise na Zona do Euro e até risco iminente de conflitos no Leste Europeu. Para finalizar, temos o ditador(zinho) Norte-Coreano (aquele que mandou todos os cidadãos de seu país manter o mesmo corte de cabelo que o seu) brincando de Batalha Naval com o a Coréia do Sul.

Não faltam emoções!

Pense nisso!

Um grande abraço e até a próxima!

Kleber Rebouças

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