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Rico Dinheiro

Ficha educativa. Não é recomendação de compra; condições, taxas e regras mudam — confira a data de revisão e as fontes.

Renda fixaIniciante

Tesouro Reserva

Por Kleber Rebouças (com apoio do Claude) · Publicado em · Próxima revisão: 01 de maio de 2027

Ficha técnica · revisada em 02 de novembro de 2026
TipoTítulo público federal pós-fixado, vendido pelo Tesouro Direto
EmissorTesouro Nacional
Remuneração100% da taxa Selic, a partir do primeiro dia útil após a aplicação
IndexadoresSelic
GarantiaTesouro Nacional (emissor soberano)
Risco principalRendimento real baixo ou negativo quando a inflação supera a Selic; resgate nos primeiros dias perde parte do rendimento para o IOF e o IR
Investimento mínimoR$ 1,00 (também o mínimo de cada resgate); limite de R$ 500 mil em aplicações por mês; por enquanto, só pelo Banco do Brasil
LiquidezAplicação e resgate a qualquer hora, todos os dias, exceto entre 0h e 1h; dinheiro do resgate disponível na hora; sem marcação a mercado
PrazoSem prazo mínimo; resgate quando o investidor quiser
CustosTaxa de custódia da B3 de 0,20% ao ano sobre o que passar de R$ 10 mil por CPF no Tesouro Reserva
TributaçãoIR regressivo de 22,5% a 15% sobre o rendimento (Lei 11.033/2004, art. 1º); IOF regressivo nos resgates feitos em até 29 dias
SituaçãoAtivo

Regras conferidas em 01/11/2026 e 02/11/2026. O Tesouro Reserva foi lançado em 11/05/2026, e suas condições de oferta ainda estão sendo ampliadas. Os exemplos usam dados do Banco Central e uma Selic hipotética; não são previsões.

Imagine uma despesa inesperada num domingo à noite. O dinheiro está aplicado e rende todos os dias, mas só serve se puder ser usado agora. A reserva de emergência pede três coisas que raramente andam juntas: segurança, acesso imediato ao dinheiro e um rendimento que não fique para trás. Durante décadas, a poupança foi a resposta mais simples para as duas primeiras e uma resposta fraca para a terceira. O Tesouro Reserva, lançado pelo Tesouro Nacional em maio de 2026, foi desenhado para preencher essa lacuna: rende a Selic e permite resgatar a qualquer hora, inclusive à noite e no fim de semana. Mas sair cedo continua tendo custo, e é aí que está o principal cuidado.

Como funciona

O Tesouro Reserva é um título público federal pós-fixado: o investidor empresta dinheiro ao governo federal e recebe 100% da taxa Selic, contada a partir do primeiro dia útil depois da aplicação (Tesouro Direto, consulta em 01/11/2026). Em 01/11/2026, a meta Selic estava em 13,75% ao ano (BCB).

O que o diferencia dos outros títulos do Tesouro Direto:

  • Funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana. Aplicações e resgates ficam indisponíveis só entre 0h e 1h. O resgate cai na conta de forma imediata.
  • Não tem marcação a mercado. O valor do investimento não oscila com as mudanças nas taxas de juros: o saldo de cada dia é o valor aplicado mais o rendimento acumulado (Tesouro Nacional, nota de lançamento). A base legal é o Decreto 12.814/2026: o título por trás do produto, a LFT-TD1, é “colocado e resgatado ao par”, isto é, sempre pelo valor nominal mais o rendimento da Selic (art. 5º).
  • Começa com R$ 1. Esse é também o valor mínimo de cada resgate. O limite de aplicação é de R$ 500 mil por investidor por mês, sem limite para resgates (Tesouro Nacional, nota de lançamento).
  • Distribuição ainda restrita. Em 02/11/2026, o título só podia ser comprado pelo Banco do Brasil, com abertura de conta digital para quem não é cliente; segundo o Tesouro Direto, outras instituições serão habilitadas futuramente, sem data definida. Quem prefere investir por outra instituição tem como alternativa mais próxima o Tesouro Selic, tema da próxima ficha.

Impostos e custos. Segundo o Tesouro Direto, os custos do produto são só três: imposto de renda, IOF e a taxa de custódia da B3; a página não prevê taxa da instituição distribuidora. O rendimento segue a tabela regressiva do imposto de renda da renda fixa: 22,5% até 180 dias, 20% de 181 a 360, 17,5% de 361 a 720 e 15% acima disso (Lei 11.033/2004, art. 1º). Nos resgates feitos antes de 30 dias, há também IOF, que começa em 96% do rendimento no 1º dia e cai até zero no 30º (Decreto 6.306/2007, Anexo). Os dois impostos incidem só sobre o ganho, nunca sobre o valor aplicado, e o IOF é descontado antes: o IR é calculado sobre o que sobra. Ambos são retidos automaticamente no resgate. A taxa de custódia da B3, de 0,20% ao ano, só incide sobre o que passar de R$ 10 mil por CPF no Tesouro Reserva (B3, consulta em 02/11/2026).

Riscos

Inflação. O Tesouro Reserva acompanha os juros, não os preços. Quando a inflação supera a Selic, o dinheiro perde poder de compra mesmo rendendo. Isso já aconteceu com aplicações que rendem a Selic: em 2020 e 2021, quem ficou o ano inteiro aplicado terminou abaixo do IPCA depois do imposto, e em 2015 praticamente empatou, com −0,04% (veja a ficha Poupança). É raro, mas não impossível.

O custo de sair cedo. A liquidez é imediata, mas o imposto pune o resgate rápido. Quem resgata depois de 10 dias perde a maior parte do rendimento para o IOF e o IR; depois de 30 dias, o IOF desaparece, mas o IR ainda leva 22,5% do ganho. O gráfico do Exemplo mostra o tamanho desse efeito.

Emissor. O risco é o do governo federal, considerado o menor risco de crédito em reais no país. O título não tem cobertura do FGC, que não garante títulos públicos (FGC, consulta em 01/11/2026): a garantia é o próprio Tesouro Nacional.

Produto novo. Regras de distribuição, custos e limites podem mudar enquanto o produto é ampliado. Por isso esta ficha tem revisão prevista em seis meses, e não em um ano.

Papel na alocação

O Tesouro Reserva foi pensado para uma função: guardar a reserva de emergência e dinheiro com data incerta de uso. Ele combina o que a reserva precisa: valor que não oscila, acesso a qualquer hora e rendimento ligado aos juros básicos. Também serve para juntar dinheiro para objetivos de curto prazo, como uma viagem ou a troca de um equipamento.

Ele não é feito para o longo prazo. Para objetivos de muitos anos, títulos que protegem da inflação ou que travam uma taxa podem cumprir melhor a função. Esses são temas das fichas do Tesouro IPCA+ e do Tesouro Prefixado.

Em relação à poupança, a troca é clara. O Tesouro Reserva rende mais quando a Selic está acima de 8,5%, não exige esperar o aniversário para receber o rendimento e funciona a qualquer hora, mas paga imposto e perde parte do ganho nos resgates muito rápidos. Com a Selic a 13,75%, a poupança rendia, no fim de outubro de 2026, entre 0,60% e 0,67% ao mês, isenta (0,5% mais a TR; BCB, série 195); o Tesouro Reserva, mantido por 30 dias, rende cerca de 0,82% no mês depois do imposto. A vantagem depende da Selic, da TR e do prazo: com juros baixos e resgates rápidos, ela diminui ou desaparece.

Exemplo

Quanto custa resgatar cedo? Considere R$ 1.000 aplicados com a Selic constante hipotética de 13,75% ao ano e resgatados depois de diferentes prazos. Como o valor está abaixo de R$ 10 mil, não há taxa de custódia.

Gráfico de linha com o rendimento líquido anualizado de R$ 1.000 no Tesouro Reserva conforme o número de dias até o resgate, com a Selic constante hipotética de 13,75% ao ano. Nos primeiros 29 dias, o IOF consome grande parte do rendimento; depois, o imposto de renda cai em degraus aos 181, 361 e 721 dias. Resgate em 10 dias: 3,5% ao ano; Resgate em 30 dias: 10,5% ao ano; Resgate em 180 dias: 10,6% ao ano; Resgate em 360 dias: 11,0% ao ano; Resgate em 720 dias: 11,5% ao ano. As taxas anuais são equivalências matemáticas do rendimento obtido em cada prazo, não taxas contratadas. A linha tracejada marca a Selic bruta, de 13,75% ao ano. Valores hipotéticos, sem custódia.

Resgate após Bruto IOF IR Líquido (ao ano)
10 dias 3,54 2,33 0,27 0,93
(3,5%)
30 dias 10,65 — 2,40 8,25
(10,5%)
180 dias 65,60 — 14,76 50,84
(10,6%)
360 dias 135,49 — 27,10 108,40
(11,0%)
720 dias 289,35 — 50,64 238,71
(11,5%)

Valores em reais, para R$ 1.000 aplicados. A taxa ao ano é uma equivalência matemática do rendimento obtido em cada prazo, útil para comparar, e não uma taxa contratada.

O salto mais importante acontece no primeiro mês: em 10 dias, dois terços do rendimento ficam com o IOF. A partir do 30º dia, o rendimento líquido se estabiliza, e os degraus seguintes do IR são pequenos. Na prática, a reserva de emergência funciona melhor quando o dinheiro fica parado a maior parte do tempo e é usado só quando necessário, porque é isso que a torna barata.

Como o produto se saiu desde que existe. A simulação padrão do Guia acompanha depósitos mensais por décadas, mas o Tesouro Reserva tem só alguns meses de vida. Por isso, ela cobre apenas o período em que o produto existe: um depósito de R$ 100 no 1º dia de cada mês, de junho a setembro de 2026, com a Selic, a poupança e a inflação efetivas de cada mês, e resgate de tudo em 1º de outubro.

Barras com quanto rendeu, num resgate em 1º de outubro de 2026, um total de R$ 400,00 depositado em quatro parcelas de R$ 100, no 1º dia de cada mês de junho a setembro de 2026. Só para repor a inflação seriam necessários mais R$ 2,61. A poupança rendeu R$ 6,75. O Tesouro Reserva, depois do imposto de renda, rendeu R$ 8,74. Em quatro meses, a diferença entre as aplicações é de poucos reais. Dados do Banco Central, extraídos em 01/11/2026.

Em quatro meses, a diferença entre o Tesouro Reserva e a poupança foi de R$ 1,99 sobre R$ 400 depositados: pequena em reais, mas cerca de 30% a mais de rendimento. É o tipo de diferença que só ganha peso com o tempo, como mostra a simulação desde o Plano Real na ficha da Poupança, em que uma aplicação na Selic terminou com quase o dobro do saldo.

Premissas. Depósitos no dia 1º, com rendimento a partir dele (no produto real, o rendimento começa no primeiro dia útil seguinte); resgate em 1º/10/2026, de modo que cada depósito recebe a Selic de meses inteiros; IR de 22,5% sobre o ganho bruto, porque todos os depósitos tinham até 180 dias; sem IOF, porque o último depósito, de 1º/09, completa 30 dias no resgate; sem custódia. O exemplo de resgate usa dias corridos e Selic constante; na prática, a Selic muda ao longo do tempo.

Fica uma pergunta: se o Tesouro Reserva tem liquidez imediata e não oscila com o mercado, o que ainda justifica o Tesouro Selic? A próxima ficha responde. É o título que já fazia esse papel antes do Tesouro Reserva, pode ser comprado em qualquer instituição habilitada ao Tesouro Direto e tem uma diferença sutil: um pequeno efeito da marcação a mercado num resgate antecipado.

#Renda fixa#Tesouro Direto#Juros#Tributação

Fontes

  1. Tesouro Direto. Tesouro Reserva: características, taxas e impostos, instituição distribuidora, dúvidas frequentes (abre em nova aba) (acesso em 02 de novembro de 2026)
  2. Tesouro Nacional. Tesouro Nacional, B3 e BB lançam Tesouro Reserva com operação 24h nos 7 dias da semana (11/05/2026) (abre em nova aba) (acesso em 01 de novembro de 2026)
  3. Brasil. Decreto nº 12.814, de 09/01/2026, arts. 4º e 5º (características da LFT-TD1, colocada e resgatada ao par) (abre em nova aba) (acesso em 02 de novembro de 2026)
  4. B3 Educação. Tesouro Reserva (custódia isenta até R$ 10 mil por CPF no Tesouro Reserva) (abre em nova aba) (acesso em 02 de novembro de 2026)
  5. B3. Tarifas de Tesouro Direto (taxa de custódia; Tesouro Reserva 20XX — LFT-TD1) (abre em nova aba) (acesso em 01 de novembro de 2026)
  6. Brasil. Lei nº 11.033, de 21/12/2004, art. 1º (alíquotas do imposto de renda sobre aplicações de renda fixa) (abre em nova aba) (acesso em 01 de novembro de 2026)
  7. Brasil. Decreto nº 6.306, de 14/12/2007, art. 32 e Anexo (IOF regressivo em resgates com menos de 30 dias) (abre em nova aba) (acesso em 01 de novembro de 2026)
  8. Receita Federal. Instrução Normativa RFB nº 1.585, de 31/08/2015, art. 46 (alíquotas e base de cálculo do IR sobre aplicações de renda fixa) (abre em nova aba) (acesso em 01 de novembro de 2026)
  9. Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Sobre a garantia FGC: produtos cobertos e não cobertos (abre em nova aba) (acesso em 01 de novembro de 2026)
  10. Banco Central do Brasil. Taxas de juros básicas: histórico das metas para a taxa Selic definidas pelo Copom (abre em nova aba) (acesso em 01 de novembro de 2026)
  11. Banco Central do Brasil. Sistema Gerenciador de Séries Temporais (SGS): séries 195 (poupança), 433 (IPCA) e 4390 (Selic mensal) (abre em nova aba) (acesso em 01 de novembro de 2026)

Revisão

  • Publicada em
  • Próxima revisão prevista:

Esta ficha descreve um produto genérico, com fins educacionais. Não é recomendação de compra ou venda nem considera a sua situação. Taxas, regras e tributação mudam e variam entre emissores e distribuidores: confira as condições na instituição antes de investir. Veja o Aviso legal.

Leia a seguir

  • O dinheiro que não chegou a tempo

    Toinho tinha dinheiro guardado e gado no pasto, mas nada disso virou dinheiro quando a filha precisou. Liquidez, prazo e reserva de emergência.

    PrólogoIniciante

  • Poupança

    Como a poupança rende, por que a regra muda quando a Selic passa de 8,5% ao ano, o que o FGC cobre e quando ela perde para a inflação.

    Renda fixaIniciante

  • Tesouro Selic

    O título público que rende a Selic: a taxa extra da compra, por que vender antes do vencimento pode render menos e a comparação com o Tesouro Reserva.

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