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Rico Dinheiro

Ficha educativa. Não é recomendação de compra; condições, taxas e regras mudam — confira a data de revisão e as fontes.

Renda fixaIniciante

Tesouro Selic

Por Kleber Rebouças (com apoio do Claude) · Publicado em · Próxima revisão: 02 de novembro de 2027

Ficha técnica · revisada em 02 de novembro de 2026
TipoTítulo público federal pós-fixado (LFT), vendido pelo Tesouro Direto
EmissorTesouro Nacional
RemuneraçãoSelic + taxa definida na compra (de Selic + 0,06% a Selic + 0,10% ao ano em 30/10/2026, conforme o vencimento)
IndexadoresSelic
GarantiaTesouro Nacional (emissor soberano)
Risco principalPequena oscilação de preço (marcação a mercado) na venda antes do vencimento; rendimento real baixo quando a inflação supera a Selic
Investimento mínimo1% do valor do título (R$ 201,20 no Tesouro Selic 2031, pelo preço de referência de 01/11/2026); limite de R$ 2 milhões em aplicações por mês
LiquidezVenda ao Tesouro em dias úteis, das 9h30 às 18h; pedido até 13h, dinheiro a partir das 13h do mesmo dia; depois disso, no dia útil seguinte
PrazoVencimento definido na emissão; pode ser vendido antes
CustosTaxa de custódia da B3 de 0,20% ao ano sobre o que passar de R$ 10 mil por CPF no Tesouro Selic
TributaçãoIR regressivo de 22,5% a 15% sobre o rendimento (Lei 11.033/2004, art. 1º); IOF regressivo nos resgates feitos em até 29 dias
SituaçãoAtivo

Regras conferidas em 01 e 02/11/2026. Taxas e preços citados são os do último dia útil antes da revisão (sexta-feira, 30/10/2026), salvo indicação. Os preços históricos vêm do Tesouro Transparente e as taxas, do Banco Central. Os exemplos com dados do passado não são previsão.

“Selic” é a sigla de Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, o sistema do Banco Central em que os títulos públicos são registrados e negociados. A taxa média dos empréstimos de um dia feitos ali, lastreados nesses títulos, é a taxa Selic, a referência dos juros no país. E é exatamente essa taxa que o Tesouro Selic paga (Decreto 12.814/2026, art. 3º).

Por isso ele é, há mais de duas décadas, a porta de entrada do Tesouro Direto e uma das bases mais comuns da reserva de emergência. Mas ele tem uma particularidade que surpreende quem o trata como uma poupança melhorada: em alguns momentos, quem vende antes do vencimento pode receber menos do que aplicou.

Como funciona

O Tesouro Selic é o nome comercial da LFT (Letra Financeira do Tesouro), título criado em 1987 para financiar o governo federal (Tesouro Nacional, Dívida Pública: a experiência brasileira, p. 63). Desde 2002, pessoas físicas podem comprá-lo pelo Tesouro Direto, por meio de bancos e corretoras habilitados. É o mesmo título com dois nomes: LFT nas normas e no mercado, Tesouro Selic no Tesouro Direto. Por isso, o que se diz da LFT nesta ficha vale para o Tesouro Selic.

O título rende a Selic de cada dia útil. Na compra, porém, o preço não é exatamente o valor de face: ele embute uma pequena taxa adicional, positiva ou negativa, definida pelo mercado. Na sexta-feira, 30/10/2026, último dia útil antes desta revisão, o Tesouro Selic 2031 era negociado a Selic + 0,10% ao ano (Tesouro Transparente). No fim de semana não há negociação: o site do Tesouro Direto continua exibindo esses preços, mas apenas como referência. Quem compra a Selic + 0,10% e leva o título até o vencimento recebe a Selic do período mais esses 0,10% ao ano.

Essa taxa adicional mudou bastante ao longo do tempo:

Gráfico de área com a taxa paga acima da Selic na compra do Tesouro Selic, no último dia útil de cada mês, de dezembro de 2004 a outubro de 2026 (maior taxa entre os títulos ofertados). Entre 2006 e meados de 2020, ela ficou entre −0,08% e +0,06% ao ano. Em 2004 e 2005, ficou perto de +0,3% a +0,4%; de 2012 a 2014 ficou negativa, com mínimo de −0,08% ao ano; a partir de setembro de 2020 subiu de forma brusca, com pico de +0,35% ao ano em abril de 2021, e depois recuou aos poucos, até +0,10% em outubro de 2026. Taxa positiva significa título comprado abaixo do valor de face; negativa, acima. Dados do Tesouro Transparente, extraídos em 02/11/2026.

Quando a taxa é positiva, o título é vendido com desconto sobre o valor de face (deságio), e o desconto vira rendimento extra até o vencimento. Quando é negativa, o comprador paga um pequeno prêmio (ágio) e recebe um pouco menos que a Selic.

Comprar e vender. As operações são feitas em dias úteis, das 9h30 às 18h, aos preços do momento. À noite, nos fins de semana e nos feriados, o pedido é apenas agendado e executado aos preços da abertura do dia útil seguinte. O Tesouro recompra o título todos os dias úteis: na venda pedida até 13h, o dinheiro fica disponível a partir das 13h do mesmo dia; depois disso, a partir das 13h do dia útil seguinte (Tesouro Direto, regras). A menor compra possível é 1% de um título (R$ 201,20 no Tesouro Selic 2031, pelo preço de referência exibido em 01/11/2026, um domingo), e o limite é de R$ 2 milhões por mês.

Impostos e custos. Os mesmos de toda a renda fixa: imposto de renda de 22,5% (até 180 dias) a 15% (acima de 720 dias) sobre o ganho, mais IOF nos resgates feitos antes de 30 dias, descontado antes do IR (Lei 11.033/2004, art. 1º; Decreto 6.306/2007, Anexo). O prazo do IR conta para cada compra separadamente: quem aplica todo mês tem uma alíquota diferente para cada parcela. A B3 cobra 0,20% ao ano de custódia, mas só sobre o que passar de R$ 10 mil por CPF no Tesouro Selic (B3).

Riscos

Marcação a mercado. Antes do vencimento, o preço do título acompanha a taxa adicional que o mercado exige naquele dia. Se ela sobe depois da compra, o título comprado antes passa a pagar menos do que o mercado exige; para que alguém aceite ficar com ele, o preço precisa cair um pouco. Quem vende nesse momento recebe menos do que a Selic acumulada indicaria. Na maior parte do tempo, o efeito é de centavos. Em setembro de 2020, foi de vários reais por mil aplicados, como mostra o Exemplo. Segundo o Tesouro Nacional, a incerteza da pandemia de covid-19 aumentou a procura por liquidez, a demanda por LFT, o título do Tesouro Selic, caiu, e o ajuste de preço desse título, num mercado secundário pouco líquido, veio de uma vez em setembro (Relatório Anual da Dívida Pública 2020, p. 11–12). Quem leva o título até o vencimento não sofre esse efeito: recebe a Selic mais a taxa contratada.

Inflação. Como no Tesouro Reserva e na poupança, o rendimento acompanha os juros, não os preços. Em 2020 e 2021, quem ficou o ano inteiro aplicado na Selic terminou abaixo do IPCA depois do imposto, e em 2015 praticamente empatou: a Selic rendeu 13,29% e o IPCA foi de 10,67%, mas, descontados 20% de IR, o ganho real foi de −0,04% (BCB; veja a ficha Poupança).

Emissor. O risco é o do governo federal, o menor risco de crédito em reais no país, mas não nulo: depende da capacidade fiscal do país de honrar a dívida. Não há cobertura do FGC, que não garante títulos públicos; a garantia é o próprio Tesouro Nacional.

Papel na alocação

O Tesouro Selic cumpre duas funções. A primeira é a reserva de emergência e o dinheiro de curto prazo, ao lado do Tesouro Reserva. A segunda é ser a parte estável de uma carteira de longo prazo: uma fatia que rende os juros básicos, oscila pouco e pode ser usada para rebalancear quando outras classes sobem ou caem.

Para a reserva, a escolha entre os dois títulos do Tesouro depende do que pesa mais:

Tesouro Selic Tesouro Reserva
Rendimento Selic + taxa da compra (+0,10% em 30/10/2026) 100% da Selic
Oscilação antes do vencimento Pequena (marcação a mercado) Nenhuma
Quando operar Dias úteis, 9h30–18h Todos os dias, 24h (exceto 0h–1h)
Dinheiro do resgate Mesmo dia, se pedido até 13h Imediato
Mínimo 1% do título (R$ 201,20) R$ 1
Onde comprar Bancos e corretoras habilitados Só Banco do Brasil (02/11/2026)
Custódia, IR e IOF Iguais nos dois Iguais nos dois

Quem quer previsibilidade total do saldo e acesso a qualquer hora tende ao Tesouro Reserva. Quem aceita esperar o dia útil e uma pequena oscilação em troca da taxa adicional, ou não quer depender de uma única instituição, tende ao Tesouro Selic. Nada impede usar os dois: o Tesouro Reserva para a primeira camada da reserva, que pode ser necessária num domingo, e o Tesouro Selic para o restante.

Exemplo

Quando vender cedo custou caro. Em 09/09/2020, o Tesouro Selic 2025 podia ser comprado a Selic + 0,04% ao ano, por R$ 10.681,46 cada título. Um mês depois, a taxa exigida pelo mercado tinha saltado: em 08/10/2020, o Tesouro recomprava o mesmo título a Selic + 0,38%, por R$ 10.536,41 (Tesouro Transparente). Quem aplicou R$ 1.000 e vendeu nesse dia recebeu R$ 986,42 antes dos impostos: 1,36% a menos do que aplicou, num mês em que a Selic rendeu 0,16%.

Gráfico de linha com a diferença, em reais, entre o valor de venda antecipada de R$ 1.000 aplicados no Tesouro Selic 2025 em 9 de setembro de 2020 e os mesmos R$ 1.000 corrigidos pela Selic, até o vencimento, em março de 2025. Em 8 de outubro de 2020, quem vendesse receberia R$ 986,42, −1,36% em relação ao valor aplicado e cerca de R$ 15 a menos do que a Selic teria pago. A diferença diminuiu aos poucos, voltou a zero em outubro de 2022 e terminou positiva no vencimento, em cerca de R$ 2, porque o título foi comprado a Selic mais 0,04% ao ano. Antes de impostos e custódia. Dados do Tesouro Transparente e do Banco Central, extraídos em 02/11/2026.

Quem não precisou vender não perdeu nada. O valor de venda voltou a superar o valor aplicado no fim de dezembro de 2020, alcançou o que a Selic teria rendido em outubro de 2022 e, no vencimento, terminou ligeiramente acima, graças aos 0,04% contratados na compra. O episódio é raro, mas mostra a diferença essencial em relação ao Tesouro Reserva: no Tesouro Selic, o saldo de um dia qualquer é uma estimativa de preço, não um valor garantido. Liquidez é a possibilidade de vender a qualquer dia útil, não a garantia de receber, em qualquer data, o valor esperado.

R$ 100 por mês desde o Plano Real. A simulação padrão do Guia acompanha um depósito mensal de julho de 1994 a setembro de 2026, equivalente a R$ 100 de hoje e reajustado uma vez por ano pelo IPCA. Antes de 2002, a pessoa física não tinha acesso direto ao título, mas a LFT, o título por trás do Tesouro Selic, já existia e rendia a Selic. Por isso a série usa 100% da Selic em todo o período, sem a taxa adicional da compra, com custódia e imposto de renda. Antes de 2002, portanto, é uma reconstrução histórica, não uma aplicação que uma pessoa física pudesse ter feito diretamente.

Gráfico de linhas, de julho de 1994 a setembro de 2026, com o saldo, em reais de setembro de 2026, de um depósito mensal equivalente a R$ 100 de hoje, reajustado todo ano pelo IPCA, com 387 depósitos. Total depositado corrigido pela inflação: R$ 37.533. Poupança: R$ 49.570. Tesouro Selic, com 100% da Selic, depois da custódia e do imposto de renda: R$ 95.601; antes deles, R$ 111.186. Uma linha vertical marca 2002, quando o título passou a ser vendido a pessoas físicas pelo Tesouro Direto; antes disso, a série usa a Selic, rendimento da LFT, o título por trás do Tesouro Selic. Dados do Banco Central, extraídos em 01/11/2026.

Data, tempo decorrido e total depositado (nominal) Só a inflação Poupança Tesouro Selic, líquido
Dez/2002
8,5 anos
R$ 1.872 depositados
R$ 9.741 R$ 11.279 R$ 15.968
Dez/2010
16,5 anos
R$ 5.067 depositados
R$ 19.078 R$ 23.873 R$ 40.499
Dez/2018
24,5 anos
R$ 10.117 depositados
R$ 28.437 R$ 35.674 R$ 64.621
Set/2026
32,25 anos
R$ 17.620 depositados
R$ 37.533 R$ 49.570 R$ 95.601
Ganho real equivalente — 1,67% ao ano 5,26% ao ano

O total depositado está em valores da época, sem correção. As demais colunas estão em reais de setembro de 2026.

Em 32 anos, a Selic líquida terminou com quase o dobro da poupança e um ganho real equivalente a 5,26% ao ano. Antes da custódia e do imposto, seriam R$ 111.186, ou 6,04% ao ano acima da inflação: a tributação é o maior custo de uma aplicação pós-fixada mantida por décadas. As premissas são as da ficha Poupança: imposto pela tabela atual sobre o ganho bruto, custódia de hoje com a isenção corrigida pela inflação e depósitos no dia 1º.

O Tesouro Selic protege a reserva das oscilações grandes, mas não da inflação nem do tempo. A próxima ficha trata do CDB, que também costuma acompanhar os juros básicos, mas troca o emissor público por um banco e a garantia do Tesouro pela do FGC, com limites.

#Renda fixa#Tesouro Direto#Juros#Risco

Fontes

  1. Brasil. Decreto nº 12.814, de 09/01/2026, art. 3º (características das LFT) (abre em nova aba) (acesso em 02 de novembro de 2026)
  2. Tesouro Nacional. Dívida Pública: a experiência brasileira, Parte 1, cap. 2 (história da dívida pública; criação das LFT em 1987, p. 63) (abre em nova aba) (acesso em 02 de novembro de 2026)
  3. Tesouro Nacional. Relatório Anual da Dívida Pública Federal 2020, p. 11–12 (pandemia, preferência por liquidez e ajuste abrupto dos prêmios das LFT em setembro de 2020) (abre em nova aba) (acesso em 02 de novembro de 2026)
  4. Tesouro Direto. Tesouro Selic (rentabilidade e investimento mínimo) (abre em nova aba) (acesso em 01 de novembro de 2026)
  5. Tesouro Direto. Regras e regulamento (horário, limites, preço de resgate, liquidação, impostos) (abre em nova aba) (acesso em 02 de novembro de 2026)
  6. Tesouro Direto. Quem somos (lançamento do programa em 2002) (abre em nova aba) (acesso em 02 de novembro de 2026)
  7. Tesouro Transparente. Taxas dos títulos ofertados pelo Tesouro Direto (preços e taxas diários desde 2004) (abre em nova aba) (acesso em 02 de novembro de 2026)
  8. B3. Tarifas de Tesouro Direto (taxa de custódia; isenção do Tesouro Selic até R$ 10 mil por CPF) (abre em nova aba) (acesso em 02 de novembro de 2026)
  9. Brasil. Lei nº 11.033, de 21/12/2004, art. 1º (alíquotas do imposto de renda sobre aplicações de renda fixa) (abre em nova aba) (acesso em 01 de novembro de 2026)
  10. Brasil. Decreto nº 6.306, de 14/12/2007, art. 32 e Anexo (IOF regressivo em resgates com menos de 30 dias) (abre em nova aba) (acesso em 01 de novembro de 2026)
  11. Receita Federal. Instrução Normativa RFB nº 1.585, de 31/08/2015, art. 46 (alíquotas e base de cálculo do IR sobre aplicações de renda fixa) (abre em nova aba) (acesso em 01 de novembro de 2026)
  12. Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Sobre a garantia FGC: produtos cobertos e não cobertos (abre em nova aba) (acesso em 01 de novembro de 2026)
  13. Banco Central do Brasil. Sistema Gerenciador de Séries Temporais (SGS): séries 11 (Selic diária), 25 e 195 (poupança), 433 (IPCA) e 4390 (Selic mensal) (abre em nova aba) (acesso em 02 de novembro de 2026)

Revisão

  • Publicada em
  • Próxima revisão prevista:

Esta ficha descreve um produto genérico, com fins educacionais. Não é recomendação de compra ou venda nem considera a sua situação. Taxas, regras e tributação mudam e variam entre emissores e distribuidores: confira as condições na instituição antes de investir. Veja o Aviso legal.

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