Investimentos Inteligentes - Considerações Iniciais




Olá pessoal!

Esse será o primeiro Post da série Investimentos Inteligentes. A partir de agora passaremos a analisar estratégias de investimentos e a mostrar caminhos para que você possa ousar um pouco mais e sair do "feijão com arroz" da Poupança.

Para você, poupar e investir é a mesma coisa? Ao poupar você está investindo? E ao investir você está poupando? Pense nisso! Logo mais discutiremos essas perguntas.

Os objetivos deste Post são:

  1. Esclarecer o que veremos na série Investimentos Inteligentes;
  2. Esclarecer o que NÃO veremos na série Investimentos Inteligentes;
  3. Transmitir alguns conceitos fundamentais para que você inicie no mundo dos investimentos.

O que veremos

A maioria das pessoas com quem converso sobre investimentos enxergam qualquer outra modalidade de aplicação que não seja a Poupança como algo difícil de entender e de alto risco. Alguns, um pouco mais informados, ainda conhecem outras modalidades de Renda Fixa como CDB, Fundos e Títulos Públicos. Mas ainda são poucos os que se aventuram em investimentos em Renda Variável.

No decorrer desta série de post será visto:

  • Esclarecimento quanto aos mecanismos de funcionamento e riscos de diversas modalidades de investimentos;
  • Pinceladas sobre análise técnica e análise fundamentalista;
  • Estratégias de investimento;
  • Dicas de como se organizar para começar, controlar e avançar em seus investimentos;
  • Análises baseadas em teorias e em experiências práticas;
  • Comparações entre modalidades de investimentos;
  • Técnicas que podem ser utilizadas na hora de definir onde investir;
  • Como avaliar o risco / retorno de um investimento;
  • Como gerenciar sua carteira de investimentos.

O que não veremos

Tão importante quanto discriminar o que veremos é esclarecermos o que não veremos. Assim, evitamos falsas expectativas. Nesta série NÃO VEREMOS:

  • Alusões a fórmulas mágicas de enriquecimento rápido;
  • Recomendação a produtos ou fornecedores de produtos com os quais o autor deste blog mantenha qualquer tipo de vínculo sem que seja alertado sobre possível conflito de interesse;
  • Exaustão de todo conteúdo que envolve investimentos;
  • Respostas a perguntas sobre assuntos que o autor não possua conhecimento adequado e/ou suficiente;
  • Garantias de alto retornos ou até mesmo retornos positivos nas modalidades de investimentos abordados.

O objetivo fundamental deste Blog é promover a educação financeira. Eventualmente citaremos produtos financeiros. Inclusive, em alguns momentos, poderemos exemplificar com nossa própria experiência. Contudo, alertamos que qualquer decisão de investir nos produtos citados ou seguir a estratégia indicada é de responsabilidade única e exclusiva do leitor, devendo esse arcar com os riscos de tal escolha!


Poupar ou investir?



Apesar de ser sutil, há uma diferença entre essas duas ações.

Poupar é gastar com moderação ou economia; despender com parcimônia; não desperdiçar; economizar1. Em economês, podemos ainda definir como a parte da renda pessoal ou da renda nacional que não é gasta em consumo2.

Estou poupando quando: a) pesquiso preço de produtos que desejo com objetivo de pagar menos; b) reduzo o tempo que passo no banho para gastar uma menor quantidade de água ou energia; c) deposito as moedinhas que sobraram ao fim do dia no porquinho.

Veja que estas ações não aumentam o quanto você tem de recursos (financeiros ou não), apenas fazem com que você gaste menos. Exemplo: Se tenho R$ 100,00 para comprar uma camisa e, após pechinchar com o vendedor, desembolso apenas R$ 80,00 nada mudou em minha situação financeira. Apenas passo a ter um produto cujo custo foi R$ 80,00 que somado aos R$ 20,00 que fiquei em espécie dão os mesmos R$ 100,00.

Já Investir é aplicar dinheiro em títulos, imóveis, etc., em geral para obter ganho3 ou aumentar o estoque de máquinas e equipamentos, fazendo aumentar a capacidade de produção4.

Estou investindo quando aplico recursos em uma atividade/operação que, ao final, eleve o montante de recursos que tinha inicialmente. Exemplo: Após comprar a camisa por R$ 80,00 encontrei um amigo que adorou a camisa e me ofereceu R$ 90,00 para ficar com ela e aceitei. Agora, terei R$ 110,00 (R$ 90,00 da venda da camisa e R$ 20,00 do troco em espécie que já tinha). Ou seja, terei mais recursos do que quando entrei na operação. Em termos financeiros: investi R$ 80,00 e lucrei R$ 10,00 - que equivale a 12,5% de rentabilidade sobre o valor investido ou 10% sobre o valor total inicial.

Investir é mais importante que Poupar?

Não!

Para investir é preciso ter recursos (financeiros ou não) sobrando. Se você gasta tudo ou mais do que ganha é improvável que consiga investir. Assim, primeiro, é importantíssimo que crie o hábito de poupar. Quando tiver este hábito consolidado, aí sim deve começar a investir. Em um determinado momento as decisões sobre em que investir se tornarão TÃO IMPORTANTES QUANTO o hábito da poupança.

Quando devo começar a poupar e/ou investir?


Imediatamente!



Quanto mais esperar para começar a poupar e investir, mais perderá o benefício do juro composto proporcionado pelo valor do dinheiro no tempo (comentei sobre isso aqui). Apenas tenha o cuidado de quitar TODAS as suas dívidas antes acumular recursos.

"Ah! Mas aí nunca irei começar a poupar!". Não é verdade. Ao antecipar o pagamento de um dívida, o credor deverá descontar o juro das parcelas antecipadas. Portanto, você estará poupando o pagamento do juro futuro.

Quando uma pessoa investe um recurso que poderia ser utilizado para pagar uma dívida dizemos que a pessoa está ALAVANCADA. O problema é que rima com "enforcada". Uma vez que, dificilmente, se conseguirá uma rentabilidade dos investimentos que supere as taxas de juro praticadas em empréstimos, a tendência é que a dívida aumente numa velocidade maior que os investimentos. E, acredite em mim, alavacagem é uma das maiores causas de ruína de investidores.

"Então nunca devo fazer dívidas? É sempre ruim?". Sim, em linhas gerais. Mas há sim "dívida boa". No momento oportuno abordaremos essa questão.


Minha casa e meu carro são meus maiores investimentos

Este é um pensamento típico do brasileiro. Todos sonham em ter sua casa com carro na garagem (aliás, recentemente li artigo da PROTESTE informando que o segundo lugar entre os sonhos de consumo do brasileiro passou a ser ter um plano de saúde, ultrapassando ter um carro na garagem). Mas deixe-me alertá-lo que isso é uma ilusão. Basta lembrar do conceito de investimento abordado anteriormente.

Sua casa e seu carro são apenas bens patrimoniais. Eles não geram novos recursos. Pelo contrário, consumem recursos na medida em que você precisa despender dinheiro para mantê-los. Robert Kiyosaki, autor do livro Pai Rico Pai Pobre, define esses bens quando comprados para uso pessoal como Passivos, justamente por demandarem recursos para sua manutenção (também já comentei sobre isso aqui).

Esses bens só seriam investimentos (ou Ativos na definição de Robert Kiyosaki) se eles gerassem rendimentos. É o caso da pessoa que os compra para alugar ou revender.

Financiar um imóvel ou veículo, contudo, pode ser uma boa forma de alavancagem, representando uma forma de "dívida boa". Porém, CUIDADO! Já comentamos que a alavancagem é algo muito perigoso e deve ser usada com muita parcimônia e sabedoria!

Primeiro o mais importante


A vida não é uma linha reta. É feita de altos e baixos e precisamos estar preparados para essas oscilações.

Um outro fator relevante que é tido como uma das principais causas da ruína financeira das pessoas é não estar preparado para eventos não previstos. Entre alguns imprevistos podemos citar o desemprego e a doença grave de algum familiar próximo.

Não é da nossa cultura pensarmos o que faríamos se fossêmos acometidos por algum evento ruim. E é aí que está o problema! Ao não pensarmos nisso, não nos preparamos da forma devida para quando esses eventos acontecerem (e eles acontecerão!).

Não se trata de ser pessimista e viver em prol desses eventos, mas ter pelo menos um plano para por em prática e não ficar perdido sem saber o que fazer. Por exemplo, se uma pessoa de sua família descobrir ser portadora de uma grave doença que seu plano de saúde não cobre as despesas, de onde sairão os recursos para custear o tratamento? Se você perder o emprego, como sustentará a sua família até que consiga se recolocar no mercado de trabalho?

Para se precaver desses eventos é preciso que se tenha uma reserva financeira de emergência. Esses recursos deverão estar aplicados numa modalidade de investimento conservadora, de baixo risco, que no mínimo lhe proporcione a correção da inflação.

Também deve ser um investimo de alta liquidez, ou seja, que possa rapidamente ser convertido em recursos financeiros disponíveis sem uma grande desvalorização. Isso não se aplica a imóveis e veículos. Se você precisar se desfazer de um desses bem de forma rápida precisará ofertá-los por um preço bem abaixo do seu valor de mercado, perdendo um bom dinheiro.

Entenda que estes recursos são INTOCÁVEIS, exceto em situações excepcionais como as citadas. Portanto, nada de sacar para comprar um carro, uma casa, uma TV, móveis, etc. Só use em caso de emergência. A minha recomendação é que esse fundo tenha, pelo menos, o equivalente 6 meses da sua remuneração bruta!

Classes de Investimento



Neste Blog trataremos prioritariamente de investimentos relacionados a produtos financeiros (apesar de eventualmente tratarmos de outros tipos). Assim, podemos classificar os investimentos em 4 classes (ou modalidades) básicas:

1) Renda Fixa: É todo investimento cuja remuneração é paga em condições pré-definidas. Veja bem: diferentemente do que imagina a maior parte das pesssoas, não significa que, necessariamente, o investidor terá lucro, mas apenas que as condições foram acertas no início da operação. De uma forma rápida podem ser classifcados como:

Título público quando o emissor é instituição pública e Título privado quando é pessoa jurídica ou física.

Pré-fixado quando a taxa de juro é definida previamente, no momento da aplicação, e pós-fixado quando é definida posteriormente, ao longo do prazo da aplicação.

Curto prazo quando o vencimento se dá em prazo de até um ano e longo prazo quando é superior a um ano.

Exemplos: Títulos Públicos (LFT, LTN, NTN-B, NTN-B Principal, NTN-F), CDBs, Debêntures, Notas Promissórias, Poupança, CRIs, LCIs, aluguel de imóveis, fundos de renda fixa, títulos de capitalização.


2) Renda Variável: É todo investimento cujo o resultado da operação só será conhecido na sua liquidação. Ou seja, entra-se na operação sem rentabilidade ou garantia determinados sendo, portanto, de alto risco para o investidor.

Exemplos: Ações, fundos de ações, fundos multimercados, derivativos, ETF, entre outros.

3) Câmbio: É todo investimento que envolva a troca de moedas de diferentes países a uma determinada taxa. Há bem da verdade, poderíamos colocar o câmbio como uma sub-classe da Renda Variável. Contudo, em razão de suas particularidades optamos por separá-lo.

Exemplos: Dólar, Euro e Ouro.

4) Fundo de Investimento Imobiliário: É todo investimento em forma de cotas cujos recursos são aplicados na aquisição de imóveis, para aluguel ou revenda, ou produtos financeiros relacionados a imóveis como LCI e CRI. Ou seja, é a associação de cotistas (pessoa física ou jurídica) para investir no ramo imobiliário. Este, segundo a BMF&BOVESPA, também seria um investimento da classe renda variável. Mas, mais uma vez em função de suas particularidades, decidimos destacá-lo.

Esta classe de investimento é relativamente nova no Brasil mas vem crescendo muito nos últimos anos e ainda tem muito para crescer. Na verdade é um misto de renda fixa e renda variável.

Renda Fixa porque paga um rendimento mensal aos cotistas decorrente do aluguel dos imóveis.

Renda Variável porque o valor da cota pode ser alterado de forma imprevisível em função da demanda/oferta no mercado.

Ativo

É um determinado bem e/ou produto financeiro, individualizado, no qual se tem recursos financeiros aplicados com objetivo de se obter rendimentos. Veja exemplos para cada classe de investimento:

Renda Fixa: Título Público LFT 070317 ou LTN 010116. A conta poupança nº 9999 do banco XXXX.

Renda Variável: Fundo de Ações XXXXXX, VALE5 (Ação preferencial da Vale), PETR3 (Ação ordinária da PETROBRAS), BBDCL80 (Opção de compra de ação ordinária do Bradesco com vencimento em 16/12/2013), BOVA11 (ETF atrelado ao índice IBOVESPA).

Câmbio: A moeda em espécie (Dólar, Euro, Ouro, Libra, Peso Argetino) ou Fundo Cambial XXXX.

Fundo de Investimento Imobiliário: BBVJ11 (Fundo Cidade Jardim), FFCI11 (Rio Bravo Fundo Imobiliário).

Perfil do Investidor

Nem as pessoas nem suas necessidades são iguais. Portanto, possuem tolerância diferente a diferentes níveis de risco. Alguns fatores que influenciam na definição do nível de risco aceitável para cada pessoa:

Idade: Geralmente pessoas mais novas são mais ousadas e por terem maior expectativa de vida tendem a arriscar mais porque terão mais tempo para se recuperar de possíveis perdas.

Família: O nível de risco aceitável se reduz à medida que aumenta a quantidade de pessoas que dependem de você. Uma pessoa solteira, sem filhos, provavelmente terá um apetite a risco muito maior do que um pai ou mãe de família com dois filhos.

Conhecimento: Quando se conhece um determinado produto financeiro tende-se a se tolerar mais riscos porque a escolha é mais consciente. Porém, CUIDADO! Um dos piores erros do investidor é a auto-confiança exagerada que o leva a achar que conhece tudo sobre aquele produto e a ter certeza do sucesso da operação. A auto-cofiança pode cegar o investidor fazendo que ignore ou minimize demais os riscos levando a arriscar mais do que deveria.

Reserva financeira: Quem possui uma reserva financeira maior pode optar por operações mais arriscadas por alocar apenas uma parte do capital. Exemplo: De repente surge uma boa oportunidade, porém muito arriscada, de investir R$ 5 mil numa operação que pode lhe proporcionar rentabilidade de 50% em um ano. O risco é perder 25% do mesmo capital. Se a operação der errado e você:

  • só tinha os R$ 5 mil, você perdeu 25%;
  • tinha R$ 10 mil, você perdeu 12,5%;
  • tinha R$ 100 mil, você perdeu 1,25%.

Objetivos: Quem deseja apenas manter seu poder de compra é naturalmente uma pessoa que possui baixo nível de tolerância ao risco, diferentemente daquele que deseja elevar o seu capital que buscará investimentos mais arriscados.

São quatro os perfis básicos do investidor utilizados no mercado:

Conservador: É aquele investidor que não suporta ver oscilações constantes, que prefere aplicações de menor risco apesar da menor rentabilidade. Busca preservar o poder de compra sem por em risco seu patrimônio.

Moderado: É aquele investidor aceita algumas perdas momentâneas porque acredita e confia nas suas decisões de investimento a longo prazo.

Agressivo: É aquele investidor que aceita perdas significativas de seu capital porque vislumbra que no longo prazo suas decisões de investimento trarão retornos muito superiores à média do mercado.

Superagressivo: É aquele investidor que visa obter altos ganhos no curtíssimo prazo, assumindo riscos altíssimos e atuando agressivamente na volatilidade do mercado.

Uma pessoa não tem, necessariamente, um único perfil durante toda sua vida. Normalmente, quando jovem, se é agressivo e à medida que o tempo passa, constitui-se família, aproxima-se da velhice, se reduz a agressividade. Mas nada impede que alguém faça o caminho oposto e à medida que se adquire conhecimento e experiência no mercado financeiro posições mais agressivas sejam assumidas. O fato é que você precisa estar consciente de qual é o seu perfil atual e respeitá-lo para evitar surpresas desagradáveis.

Controle o risco



Geralmente o investidor iniciante, ao definir em que investirá, se pergunta: "Quanto vou ganhar nessa operação?". Já o investidor mais experiente se pergunta: "Qual é o máximo que posso perder nessa operação?".

Vamos voltar àquela aplicação de R$ 5 mil com possíveis retorno e perda de 50% e 25%, respectivamente. O iniciante fixa sua atenção apenas para o fenomenal ganho de 50%, ignorando o risco de 25%. O experiente calcularia quanto perder 25% em uma operação representa de perda para o total do seu patrimônio: 25%? 12,5%? 1,25%? Em seguida decidiria se está confortável com essa perda. Se sim, embarcaria no investimento, se não, ficaria de fora.

E o experiente não pararia por aí. Imagine agora que você tem uma outra oportunidade que lhe daria um retorno de ganhar 10% com um risco de 1%. Qual das duas você escolheria?

É bem provável que o iniciante ainda ficaria com a de maior retorno. Mas veja que na primeira o ganho esperado é 2 vezes a perda possível. Na segunda, o ganho esperado é 10 vezes a perda possível. Essa seria a escolha de um investidor mais experiente. Mas ainda é possível mesclar as duas opções aumentando seu ganho esperado ao tempo em que reduz sua possibilidade de perda.

Veja, então, que assumir um perfil agressivo não significa "mergulhar de cabeça com tudo". Mas apenas assumir posições em que o ganho esperado compense o risco de perda mantendo o risco sobre controle.

Assumir possições arriscadas sem um sistema eficiente de controle do risco não é ser agressivo, mas LOUCO!

Estratégias de Investimento

Existem diversas estratégias para se investir no mercado financeiro e, em especial, na Bolsa de Valores. Todas podem trazer resultados positivos e/ou negativos. O que o investidor precisa é encontrar aquela que mais se adeque ao seu perfil de investimento, ao seu objetivo e ao seu tempo disponível.

O fato é que, ao definir sua estratégia, o investidor deve se ater a ela e evitar misturá-las ou trocar de estratégia a todo momento. Tenha paciência. O resultado virá com o tempo e com a aplicação correta dos fundamentos. Apesar de nenhuma poder garantir um retorno rápido e elevado, é certo que "atirar para todos lados" certamente lhe proporcionará prejuízos.

As principais estratégias no mercado financeiro são:



Análise gráfica ou técnica: Essa estratégia visa, através do histórico de cotação de preços plotados em gráficos, identificar tendências e reversão de tendências na movimentação dos preços dos ativos. Para o analista técnico pouco importa qual é o ativo, qual é a empresa, quem são seus administradores ou qual é o cenário da economia. Importa saber se o preço está caindo ou subindo, quais são os suportes e resistências do preço, se o volume está acompanhando a subida do preço e se há sinais de manutenção ou reversão da tendência. É ideal para aquelas pessoas que possuem muito tempo disponível para acompanhar o mercado, aceitam perdas em curto espaço de tempo e buscam aproveitar a volatilidade do mercado. Geralmente utilizada por especuladores mas também pode ser utilizada por investidores para definir o melhor momento de entrar numa operação de longo prazo. Não requer conhecimentos avançados e, por ser de fácil entendimento, possui grande número de adeptos.


Análise fundamentalista: Busca identificar empresas sólidas, de crescimento rápido ou consolidadas em seu nicho de atuação. Analisa variáveis macroeconômicas, o segmento de atuação da empresa, faz projeções de variáveis como meta SELIC, inflação, crescimento do PIB, etc. Tenta identificar alterações no cenário econômico de médio/longo prazo. Requer conhecimentos mais aprofundados em economia, contabilidade, administração e avaliação constante de cenários. Geralmente grandes fundos de pensão e bancos possuem equipes especializadas nesse tipo de análise para subsidiar as decisões de investimento. Dificilmente um pequeno investidor pode concorrer com essas equipes altamente capacitadas.



Alocação de ativos: Estratégia ainda pouco difundida no Brasil. Simples de ser entendida e colocada em prática, não requer a dedicação excessiva de tempo do investidor. É ideal para profissionais liberais e para aqueles que não tem tempo ou não gostam de acompanhar o mercado financeiro. Será a principal estratégia que adotarei nesta série de post. Assim, dedicarei, logo a seguir, uma seção para comentar um pouco mais sobre ela.

Não há uma hierarquia ou uma estratégia melhor que a outra. Há, como já dito, aquela que se adequa ao seu perfil. Escolha a sua, ponha em prática e vá comerar os lucros!

Alocação de Ativos

Todo mundo sabe a fórmula mágica para se dar bem no mercado financeiro: comprar com os preços em baixa e vender com os preços em alta.

Mas, se todo mundo sabe disso, porque tanta gente compra na alta e vende baixa? Se todo mundo sabe disso, o que aconteceria quando o mercado "chegasse na alta"? Ninguém compraria nada! E quando "chegasse na baixa"? Ninguém venderia nada.

O problema é que quando o mercado está subindo, ninguém sabe quando atingirá o teto. E quando está caindo, ninguém sabe quando atingirá o fundo do poço. Esses pontos só são percebidos alguns dias ou semanas depois de terem acontecido. Só que, aí, já é tarde para comprar na baixa ou vender na alta. O momento já passou.

Ainda é preciso levar em consideração que, diferentemente do que se imagina, as pessoas não agem de forma racional. Geralmente se deixam levar por impulsos de euforia ou desespero. Tanto que há um ramo da psicologia chamado de Finanças Comportamentais que estuda justamente os fatores que levam as pessoas a agirem de uma determinada forma ao lidar com questões financeiras.

A Alocação de Ativos, em certa medida, visa atender essa premissa sem que tenha que ficar advinhando se chegou ou não ao teto/fundo.

Apesar da sua simplicidade, esta estratégia ainda é pouco difundida no Brasil. Na minha opinião, isso ocorre porque gera poucos recursos para as corretoras de valores, principal agente intermediador da BOVESPA. A remuneração das corretoras advém, basicamente, do volume negociado, da quantidade de operações executadas e da venda de treinamentos. A Alocação de Ativos pressupões fazer poucas operações e, com isso, reduzir os custos da operação e nem exige muitos treinamentos para ser entendida e colocada em prática. Em outras palavras, reduz a receita das corretoras e da BOVESPA.

De uma forma simples, a estratégia funciona da seguinte forma:

  1. O investidor define seu perfil: Conservador, Moderado ou Agressivo.
  2. De acordo com o perfil, define o percentual de recursos a ser aplicado em cada uma das classes de investimento já citadas. Como exemplo, um investidor conversador poderia investir: 80% em renda fixa, 10% em ações e 10% em fundos imobiliários. Já um investidor agressivo poderia distribuir seus recursos assim: 40% em renda fixa, 40% em ações, 15% em fundos imobiliários e 5% em câmbio.
  3. Distribui os recursos por ativos. No caso do investidor conversador poderia ser 50% em títulos vinculados ao IPCA, 20% vinculados à SELIC, 10% pré-fixado (80% em Renda Fixa), 10% em fundos de ações e 2% em 5 fundos imobiliários (10% em fundos imobiliários). Então deixa o mercado agir.
  4. Periodicamente o investidor reavalia a sua carteira de investimentos verificando qual é o percentual alocado em cada classe e em cada ativo dado os novos patamres de preço. Então realiza o rebalanceamento da carteira vendendo parte dos ativos que mais se valorizaram e comprando ativos que se desvalorizaram ou valorizaram menos.


Exemplo para o investidor conservador: Digamos que após 6 meses, após registrados novos preços dos ativos, a classe Renda Fixa esteja representando 75%, a classe ações ações 15% e a classe fundos imobiliários 10%. O investidor resgataria parte de seus recursos da classe ações e aplicaria este valor na classe renda fixa reequilibrando os percentuais para a alocação desejada. Se a situação se inverter nos 6 meses seguintes o investidor providenciaria o fluxo inverso de recursos. Dessa forma ele estaria sempre vendendo os ativos que se valorizaram e adquirindo ativos que estivessem desvalorizados, ou seja, vendendo quando o preço sobe e comprando quando o preço cai.

Conclusão

Aqui demos apenas uma pitada a respeito da estratégia Alocação de Ativos. Ao longo da série avançaremos dando mais detalhes, fazendo sugestões mais específicas e explicando como escolher os ativos a investir.

Não me resta dúvida que é uma estratégia eficiente para aquelas pessoas que não tem tempo nem conhecimento suficiente para acompanhar o mercado financeiro. Contudo, não é uma estratégia que te tornaria rico da noite para o dia (aliás, por trás disso sempre há dois outros fatores: sorte e conhecer as pessoas certas)!

A longo prazo, lhe trará retornos acima do mercado, especialmente em períodos de crise ou de alteração do cenário, porque você sempre estará rebalanceando seu portifólio de investimentos ao seu perfil e aproveitando as oportunidades de queda de preço para comprar e as oportunidades de elevação de preço para realizar lucros através da venda de ativos.

Como exemplo real, veja o gráfico a seguir:


Esse gráfico mostra a evolução, desde outubro.2011, da minha carteira de investimentos (linha azul) comparada com a inflação medida pelo IPCA (linha vermelha) e com o desempenho do IBOV (linha verde).

Os valores representam o valor unitário de uma cota que deve ser multiplicada pela quantidade de cotas que possuo (isso é segredo!) para se chegar ao valor total da minha carteira. Vale ressaltar que é uma carteira extremamente agressiva e com gestão ativa (mensalmente revejo os ativos em que invisto)

Os recursos estão atualmente alocados da seguinte forma: Ações: 53%; Fundos Imobiliários (FII): 25%; Renda Fixa (RF):21%; Câmbio: 1%

A minha meta de alocação é: Ações: 49%; FII: 24%; RF: 21%; Câmbio: 6%. Em algum momento terei que me desfazer de Ações e Fundos Imobiliários para assumir novas posições em Renda Fixa e Câmbio para rebalancear a carteira conforme a meta.


Percebe como a curva azul é impactada pela variação da curva verde? Isso ocorre em função da elevada proporção de Ações na carteira. Mas perceba também que quando há uma queda significativa no IBOVESPA parte das perdas é amenizada pela alocação em FII, RF e Câmbio.

No fringir dos ovos, até 31/01/2013 minha carteira estava com um rendimento de +14,5%, a inflação acumulava +7,8% (o que me proporcionava um excelente ganho real de 6,7%) e o IBOV havia valorizado apenas +2,4%.

Pois bem! Comece imediatamente a poupar e formar um capital que te permita investir e fazer seu dinheiro trabalhar para você!

Um grande abraço e até a próxima!

K.R.




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1 O Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa
2 Ibidem
3 Ibidem
4 Ibidem







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